Como demorei pra ver a luz!
Isso só aconteceu em idos de 1991 ou 92, não lembro ao certo, quando na casa de uma amiga ouvi pela primeira vez "Good Bye Blue Sky" e fiquei admirada ao descobrir que se tratava de Pink Floyd. Era uma fita cassete tipo coletânea que costumávamos fazer para dar de presente ou simplesmente trocar música, e nela, que claro peguei emprestada, descobri tesouros como "Dogs" e "Pigs on the Wing". E foi assim que invariavelmente me apaixonei por aquela voz linda e aqueles riffs e solos fantásticos.
Em todos esses anos de shows, tenho a sorte de ter visto quase todas as bandas clássicas que gosto, mas sempre me senti frustrada por não ter visto Led Zeppelin, por motivos óbvios, e Pink Floyd que embora na ativa tinha uma estrutura de show grande demais para ser trazida ao Brasil na época.
E essa frustração se transformou em conformismo em 96 quando foi anunciado o fim da banda. Me restou os cds, sonhar enquanto via o DVD do Pulse, assim como acompanhar os CDs solo do Gilmour.
Das duas ocasiões em que Roger Waters veio ao Brasil , acabei indo somente na segunda, pois por mais que o respeite, eu, e pelo que sei muita gente, sempre preferi o Floyd com o Gilmour. Bom mas se era o mais próximo que chegaria de ver um show do Pink lá fui eu em 2012 e realmente foi um super show.
A essa altura da vida eu já havia aceitado o fato de que ver Gilmour e sua guitarra que tanto me emociona seria um sonho que não realizaria, visto que, assim como a maioria dos meus ídolos da música, o cara já vai completar 70 anos, e aposentadoria ou mesmo morte não parece ser algo tão improvável ou distante.
Mas então 2015 chegou e com ele a notícia do show no Brasil...o improvável aconteceria e finalmente eu poderia realizar meu sonho.
Foram 23 anos de espera, 3 meses de ansiedade com ingresso comprado, mais de 3000 km de viagem de Manaus, onde moro atualmente, até Sampa, mas finalmente o dia 12/12/15 chegou e eu estava lá tremendo na frente daquele palco.
E valeu, valeu cada minuto de espera, um show perfeito, os efeitos visuais, o círculo de luzes que tanto sonhei ao ver o Pulse, uma fidelidade de som que se eu fechasse os olhos poderia dizer que estava ouvindo no meu ipod.
A voz perfeita do Gilmour, seus solos que parecem atravessar meu coração lentamente fazendo-o pulsar a ponto de parecer que a qualquer momento vai explodir.
Aliás, falar das guitarras é até redundância, visto que o Phil Manzanera também é um baita guitarrista e segurou a base para o monstro. A banda como um todo é afiadíssima, o saxofonista brasileiro João Mello deu um show à parte, o casal de backing vocals Bryan e Lucita, além de cantarem muito, super simpáticos.
O setlist com músicas de sua carreira solo que amo como One in a Island, The Blue, além de High Hopes, e os três momentos em que chorei, Wish You Were Here, Shine on You Crazy Diamond, e Comfortably Numb, com a galera cantando em coro, o que foi um show à parte.
O que mais posso dizer? Qualquer coisa que eu disser ainda vai ser pouco pra descrever a beleza e perfeição desse show, usando palavras do próprio David em Comfortably Numb, "I can't explain, you would not understand"...só sendo fã e ter estado lá para entender.
Ri, cantei, gritei, chorei, enfim me faltam palavras pra descrever o quanto eu fui feliz naquelas três horas e o quanto eu sou grata por ter vivido aqueles momentos. Junto com o show do Rush posso dizer que esse show, o de número 50, foi o melhor da minha vida, não podia ter sido mais especial, um super presente de natal.
Pra terminar deixo aqui, Comfortably Numb que fechou o show...sonho realizado de ver ao vivo minha música favorita e o solo de guitarra que mais me emociona executado pelas mãos mágicas dele, Sir David Gilmour ...lágrimas rolaram dos meus olhos e terminaram num sorriso que ficará pra sempre no meu rosto todas as vezes em que lembrar desse momento.

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