26/08/2013

Dois filmes que me deixaram sem ação




Eu sou apaixonada por cinema, vou ver filmes sozinha sem problema nenhum, mas uma das coisas que mais curto é poder trocar figurinhas a respeito, mesmo que às vezes eu brigue me exalte um pouco nessas discussões.
Dia desses um post de uma amiga sobre um filme que achei muito bom no FB, gerou uma série de cometários e quase virou um chat.

Sabe aquele filme que quando acaba você fica sem fala, olhando pros créditos? E depois de algum tempo você, ainda sem ter palavras, só consegue dizer: "Foda!" ?

Então me lembrei de outros filmes com temáticas parecidas e me veio a ideia desse post. Pra não ficar muito longo, resolvi falar de dois filmes que me deixaram de boca aberta ao final e super recomendo.

São relativamente novos,  e claro que existem outros tão bons quanto, mas lembrei desses por terem me feito pensar muito a respeito da minha vida, de valores, sonhos, a tentar ser menos egoísta e pensar em como minha ações podem afetar não somente a mim, mas a muito mais pessoas do que posso imaginar...let's talk about it

 A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (AMERICAN HISTORY X) -  Tony Kaye - 1999

Um dos melhores filmes que já vi,  fiquei perplexa. Uma atuação sublime do Edward Norton, que foi indicado ao Oscar e aliás é um dos meus favoritos.

Conta a história de Derek (Norton) um rapaz branco que perde o pai, morto em um bairro negro, e se revolta, tornando-se líder  de um violento grupo de Skinheads. Após matar um negro, ele vai para a prisão onde sofre horrores e encontra amizade de quem ele menos espera. A partir daí repensa sua vida e acaba mudando completamente sua forma de pensar. Depois de três anos consegue sair em condicional e se depara com seu irmão Danny (Edward Furlong) trilhando exatamente o mesmo caminho, perto de se tornar líder do mesmo grupo. Ele então  percebe o quanto o  preconceito e a raiva causou mal não só a si,  mas à sua família, e trava uma luta para tirar seu irmão (aos olhos de quem ele é um herói) do grupo e convence-lo que na verdade ele estava errado.

É um filme cru, denso e violento, cujo tema principal é o preconceito racial e suas consequências. Acho que nem preciso falar o quanto acho idiota essa coisa de nazismo, facismo e outros "ismos" e no quanto de coisas horríveis  as pessoas fazem em nome disso, mas foram outras nuances que enxerguei e que me fizeram pensar.

Quantas vezes temos idéias e julgamentos deturpados e acabamos influenciando irmãos, filhos, amigos e nem nos damos conta?

Quantas vezes, ao passarmos por situações difíceis, a primeira coisa que fazemos é procurar culpados? Ficamos com raiva e a direcionamos para pessoas que não têm nada a ver, fazemos mal até para pessoas que amamos e não percebemos.

Não é o caso do personagem do filme, mas grande parte das vezes nossas próprias escolhas nos levam a situações complicadas, mas nos esquecemos disso. A moral da história pra mim, é que a vida não é perfeita e dificuldades sempre vão existir, mas não adianta ficar com raiva do mundo, pois além de não resolver nada, pode fazer muito mal e você pode perder pessoas e momentos preciosos da vida.



CRASH, NO LIMITE (CRASH) - Paul Haggis - 2005

Quando esse filme ganhou o Oscar em 2006, não tinha visto e confesso que fiquei intrigada, afinal todo mundo só falava de O Segredo de Brokeback Mountain. Só acabei assistindo uns dois anos depois, e levei "um tapa na cara". Tem um elenco estelar, com gente como Sandra Bullock, Matt Dilon e Ryan Phillippe,  e é difícil dizer se tem alguém que se destaca, estão todos muito bem.

Pra quem não viu, conta como o roubo do carro da mulher de um político famoso de Los Angeles, gera uma série de acontecimentos que vão aproximar personagens de diversas origens étnicas e classes sociais, e assim, as histórias  de cada um se entrelaçam, gerando uma espécie de reação em cadeia.

O foco do filme também é o preconceito, mas aqui não é só a dualidade branco/negro como no filme anterior, mas também preconceito de etnias, classe social, e vai além, focando também relações de poder e dinheiro.

O que me marcou foi que esse filme mostra situações que poderiam acontecer comigo e com qualquer um, em como podemos pautar nossas ações por julgamentos superficiais, e tais ações podem gerar um Efeito Borboleta e atingir pessoas de uma maneira cruel sem que a gente nem mesmo chegue a tomar conhecimento.

E além disso, nós mesmos muitas vezes agimos de forma a caber no que a sociedade considera adequado, pra não sofrer preconceito, como na história de um dos personagens que é negro e finge ser budista pra não sofrer preconceito religioso, já que religiões afro não são "aceitáveis".

Aqui a moral ou morais da história pra mim são:
       - Ninguém é 100% bom ou ruim, todos nós  temos uma dualidade bem/mal e somos capazes de coisas ruins e condenáveis, dependendo de quais situações a vida nos coloca.
       - Julgar uma pessoa pelas ações, classe social, aparências, religião ou credo é fácil, mas extremamente perigoso, porque você não tem ideia de como é a vida dela e pelo que essa pessoa passa. Logo, numa das voltas da vida, você pode acabar prejudicando pessoas sem mesmo ter a intenção ou consciência disso.




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