17/07/2013

O que é a música pra você?


Eu tenho uma relação muito forte com a música desde quando me entendo por gente. Das lembranças de vida mais antigas da minha infância, lembro quando chegava da escola, e sem mesmo trocar de roupas imediatamente ligava um velho rádio de pilhas e passava horas ouvindo músicas, mesmo que não fizesse ideia do que diziam -já que grande parte era em inglês - mas que me faziam feliz, faziam sonhar, imaginar milhões de coisas e situações.
E mesmo quando a música era em português, às vezes não entendia bem e me batia uma curiosidade danada de entender o que aquela pessoa estava dizendo, afinal, e por que a Beth era frígida, o que era isso? E como alguém ficava na madrugada “dançando de biquíni sem parar”?
Sim, sempre fui curiosa e saber o significado de tudo sempre me fascinou desde muito cedo.
Mais tarde já na sétima série tive a sorte de ter uma professora de inglês que levava um pequeno toca fitas e passava a aula inteira tocando músicas diversas enquanto transcrevia as letras de cada música no quadro. Claro que aquela se tornou minha aula preferida e eu nunca mais esqueci a professora Leila. Como era legal entender o que aquelas pessoas diziam, e como foi frustrante saber que algumas músicas que adorava não faziam sentido algum, algumas que achava falar de amor, não tinham nada a ver com isso e algumas das quais eu nem gostava tanto acabaram fazendo o maior sentido pra minha época de vida.  Pode parecer pouco, mas essa foi uma época rica, que abriu minha mente e independente do idioma essa relação com a música só se fortaleceu e se tornou meio que visceral...tudo que penso, sinto, falo, em algum momento acaba me lembrando alguma música e sempre consigo me expressar infinitamente melhor através dela, independente do estilo ou idioma...sempre me pego pensando no que o compositor quis realmente dizer com determinada frase, ou com a letra inteira, qual a história daquela música, sem contar aquelas músicas que parecem ter sido escritas pra mim, naquele meu momento de vida.
 Posso dizer com toda certeza que eu não vivo sem música, e acredito que quando ando por aí, com meu ipod à tiracolo e cantando sozinha, devem me achar uma maluquinha, mas eu nem ligo, sou feliz assim.
Obviamente nem todas as pessoas tem essa relação que eu tenho, mas uma coisa que ao longo dos anos e observações, me fez pensar é em que ponto as letras de músicas bem construídas e com significado deixaram de ter valor. Pode ser exagero, mas é o que me parece que ficou comum nos últimos anos. Sim, você pode dizer que músicas sem conteúdo sempre existiram, e eu concordo, mas eu simplesmente não entendo o sucesso estrondoso que uma série músicas com refrões repetitivos e sem sentido faz hoje em dia. Reparem que não falo de nenhum estilo musical em particular, falo que sinto falta de músicas que façam pensar, sentir, emocionar, palavras de revolução, poesia, qualquer coisa que vá além de “vou pra balada pegar mulher” ou “eu tenho carro, tenho grana e posso tudo”.
A música é, e sempre foi um poderoso meio de comunicação que já mudou o comportamento de gerações inteiras, vejam a “geração paz e amor”, a “jovem guarda”, só para citar alguns exemplos. E hoje em dia com as facilidades da internet e sites de letras de músicas, entender a letra ficou bem fácil, mas fico triste às vezes,  pois a impressão que tenho é que parece hoje em dia grande parte das pessoas adquiriu uma preguiça mental tão grande, que agora o que importa é somente balançar o corpo e repetir frases sem sentido. Enfim talvez eu seja somente uma “velha saudosa”, e nada disso faça sentido pra você, mas ainda assim, gostaria de deixar aqui uma reflexão que nos retorna ao título desse texto:
                “AFINAL, O QUE É A MÚSICA PRA VOCÊ?”




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