E mesmo quando a música
era em português, às vezes não entendia bem e me batia uma curiosidade danada
de entender o que aquela pessoa estava dizendo, afinal, e por que a Beth era
frígida, o que era isso? E como alguém ficava na madrugada “dançando de biquíni
sem parar”?
Sim, sempre fui curiosa e saber
o significado de tudo sempre me fascinou desde muito cedo.
Mais tarde já na sétima
série tive a sorte de ter uma professora de inglês que levava um pequeno toca
fitas e passava a aula inteira tocando músicas diversas enquanto transcrevia as
letras de cada música no quadro. Claro que aquela se tornou minha aula
preferida e eu nunca mais esqueci a professora Leila. Como era legal entender o
que aquelas pessoas diziam, e como foi frustrante saber que algumas músicas que
adorava não faziam sentido algum, algumas que achava falar de amor, não tinham
nada a ver com isso e algumas das quais eu nem gostava tanto acabaram fazendo o
maior sentido pra minha época de vida.
Pode parecer pouco, mas essa foi uma época rica, que abriu minha mente e independente
do idioma essa relação com a música só se fortaleceu e se tornou meio que
visceral...tudo que penso, sinto, falo, em algum momento acaba me lembrando
alguma música e sempre consigo me expressar infinitamente melhor através dela, independente
do estilo ou idioma...sempre me pego pensando no que o compositor quis realmente dizer com determinada frase, ou com a letra inteira, qual a história daquela música, sem contar aquelas músicas que parecem ter sido escritas pra mim, naquele meu momento de vida.
Posso dizer com toda certeza que eu não vivo sem música, e acredito que quando ando por aí, com meu ipod à tiracolo e cantando sozinha, devem me achar uma maluquinha, mas eu nem ligo, sou feliz assim.
Posso dizer com toda certeza que eu não vivo sem música, e acredito que quando ando por aí, com meu ipod à tiracolo e cantando sozinha, devem me achar uma maluquinha, mas eu nem ligo, sou feliz assim.
Obviamente nem todas as
pessoas tem essa relação que eu tenho, mas uma coisa que ao longo dos anos e
observações, me fez pensar é em que ponto as letras de músicas bem construídas
e com significado deixaram de ter valor. Pode ser exagero, mas é o que me
parece que ficou comum nos últimos anos. Sim, você pode dizer que músicas sem
conteúdo sempre existiram, e eu concordo, mas eu simplesmente não entendo o
sucesso estrondoso que uma série músicas com refrões repetitivos e sem sentido
faz hoje em dia. Reparem que não falo de nenhum estilo musical em particular,
falo que sinto falta de músicas que façam pensar, sentir, emocionar, palavras
de revolução, poesia, qualquer coisa que vá além de “vou pra balada pegar
mulher” ou “eu tenho carro, tenho grana e posso tudo”.
A música é, e sempre foi
um poderoso meio de comunicação que já mudou o comportamento de gerações
inteiras, vejam a “geração paz e amor”, a “jovem guarda”, só para citar alguns
exemplos. E hoje em dia com as facilidades da internet e sites de letras de
músicas, entender a letra ficou bem fácil, mas fico triste às vezes, pois a impressão que tenho é que
parece hoje em dia grande parte das pessoas adquiriu uma preguiça mental tão grande,
que agora o que importa é somente balançar o corpo e repetir frases sem
sentido. Enfim talvez eu seja somente uma “velha saudosa”, e nada disso faça
sentido pra você, mas ainda assim, gostaria de deixar aqui uma reflexão que nos retorna ao título desse texto:
“AFINAL, O QUE É A
MÚSICA PRA VOCÊ?”

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